domingo, 12 de fevereiro de 2012

CORDEL DAS COISAS DE FLORÂNIA

Com um pouco de atraso, estamos disponibilizando o Cordel das Coisas de Florânia que foi lançado no último dia 27 de janeiro, dentro do Sarau Cultural em comemoração ao 1º aniversário do blog.



Cordel das Coisas de Florânia
                     1

Florânia Terra das Flores
Das noites de São João
Das festas tradicionais
E do mártir Zé Leão
Protegida pelas setas
Do Santo Sebastião.

Do parque de Chico do Saco
Uma eterna brincadeira
Do vaqueiro e caçador
Das coisas de “mei” de feira
Do teatro de Zé Damasceno
E da vistosa Gameleira.

No alto se ver o Monte
No centro a arquitetura
No campo o homem trabalha
Na luta da agricultura
Nossa história preservada
Lá na Casa de Cultura.

Recanto de Dona Santa
E de Cosme de Abreu
Sem esquecer Atanásio
Que a grande peste venceu
E assim ergueu uma capela
Num ato que comoveu.

3

Florânia das grandes mestras
Dona Candoca a primeira
Zelinda e Almira Félix
Dona Gracinha Pereira
Imaginem todas juntas
Na sombra da gameleira.

Lugar de esportistas natos
Com grande veneração
Chico de Neci e Oscar
E o lendário Manelão
Dedé Coró e Manoel Cícero
Formam um time campeão.

Berço de nossas origens
Bugi Vermelho e Flores
No vale Rossaurubu
Florânia tem suas cores
Palco para os seresteiros
Cantarem os seus amores.

Pelo Palácio das Flores
Muitos homens já passaram
Tem também duas mulheres
Que nele se destacaram
Dona Santa e Jandira
Para a história entraram.

5

Partindo pra zona rural
Que já foi algodoeira
Temos imensas belezas
Do Fechado a Pitombeira
Passando pelos Macacos
Até chegar à Ipueira.

Sem esquecer o Bugi
Meu torrão primeiro
São Bento e Catolé
Entrando no Juazeiro
Agora subo pra chã
Na Serra do Cajueiro.

De tantos pontos turísticos
Que não esqueço um instante
Capim Açu e os Tanques
O Pau do Oco é brilhante
Descanso o meu cansaço
No aconchego do Mirante.

Do prédio da LBA
E o casarão italiano
Além da Rainha do Prado
Berço do povo cigano
Uma bela harmonia
Para o mestre Marciano.                     7

De Severino do Copo
Que acerta o seu destino
Marizete e Diana
Rezadeiras do Divino
Pra espinhela caída
Chame Arnaldo Firmino.

Dos políticos voluntários
Que lutaram até o fim
Entre eles se destaca
O filho de seu Joaquim
Agricultor e poeta
O inigualável Cilim.

Das vésperas de eleição
Onde tudo é decidido
No sobe e desce do povo
Num imenso alarido
Cabra jurando na fé
Que não tem voto vendido.

Da parteira Mãe Moça
Que fez crescer o Brasil
Ana Maria e Cícera
A saudosa Dona Edil
E tantas outras ilustres
Que desta terra floriu.
                     2

Tem também Padre Sinval
Que governou com postura
Fez crescer nossa cidade
Valorizou a cultura
Um exemplo de político
À frente da prefeitura.

Lugar de peleja política
Que às vezes quebra o pau
Da velha rivalidade
Com o bicudo e o bacurau
E o que era separado
Transformou-se num mingau.

Terra de grandes valores
De Cafifi e de Birunga
João Emídio e Paizinho
Com esse povo comunga
Que ainda sente falta
Das festas de Antônio de Lunga.

De Terezinha de Jesus
Com sua voz angelical
Dos repentes de André
Que falam de bem e mal
E de Miguel Calystone
Nosso valor cultural.

4

De figuras que marcaram
Nosso povo com encanto
Seu Raul puxando o fole
Vinoca com o seu canto
E as mentiras verdadeiras
De Bastião do Recanto.

Tem um grande sanfoneiro
De nome Antônio Dois Ouro
Bate sola, faz arreio
Mestre na arte do couro
Seu trabalho é para gente
Um verdadeiro tesouro.

Aqui tem homens de bem
Cada um com o seu fardo
Pra saber mais de Florânia
Não precisa jogar dardo
Basta você pesquisar
O Baú de Zé Felizardo.

Terra que acolhe o povo
E respeita a sua vez
Como esquecer Silvino
Bancário de sensatez
E ainda conterrâneo
Do grande Padre Cortez.

6

Das bolachas de Camilo
Conhecido por Fon Fon
Do Beco do Passa e Fica
E do saudoso Zé Avon
Subindo mais um pouquinho
Chego à Praça Callon.

Dentro das festas juninas
Tudo era animação
Cezário o eterno noivo
Com Luzia Damião
Vamos manter minha gente
Essa linda tradição.

De um grande batalhador
Que seguiu o seu caminho
Cuidou do rico e do pobre
Sempre com igual carinho
É o nosso eterno médico
O grande mestre Nozinho.

Das festas do Reencontro
Com saudades eu relembro
Rosa de Maio e o Luar
E a festa de Novembro
No desfilar pelas ruas
Era Sete de Setembro.

8

Pessoas que me marcaram
Desde o tempo de menino
Zé Turuba com seu Jipe
O doido Zé Manuíno
E os versos inspirados
No mestre João Severino.

Das serestas de Vicente
Nosso seresteiro nato
Na voz de Maria José
A saudade eu abafo
E afasto a tristeza
Nas piadas de Nonato.

De tantas outras belezas
Que ao turista encanta
Nossa linda cachoeira
No monte a Menina Santa
Do velho Alto Vermelho
E a Serra da Garganta.

Por aqui vou terminando
Essa viagem simplória
O que falei de Florânia
Ta gravada na memória
E agora registrado
Para os anais da história.


Por Domingos Toscano

3 comentários:

  1. PARABÉNS COLEGA POETA,AMEI O SEU CORDEL.OBRIGADA POR TER CITADO O MEU PAI E A MIM.ABRAÇOS.

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  2. ADMIRO AS PESSOAS QUE AO SE OLHAREM NO ESPELHO,VÊM O OUTRO.VC E JUN INHO SÃO ASSIM,AMO VCS.

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